Amor romântico?

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O dia dos namorados em alguns países é conhecido como o dia de São Valentim.  No Brasil é comemorado em 12 de Junho. Nos Estados Unidos, por exemplo, é comemorado em 12 de Fevereiro, data que relembra o aniversário de morte de São Valentim, mártir cristão. Em nosso país, a data surgiu em 1949, quando João Doria trouxe a ideia de celebrar uma data para os casais. A data foi mudada para 12 de Junho, véspera do dia do “santo casamenteiro”, Santo Antônio.

Mas o que isso tem a ver com o amor romântico? Bem, os casais aproveitam a data para reafirmar seu amor e homenagear o(a) amado(a) com jantares, presentes, flores etc. O amor,  como idealizamos hoje no mundo ocidental, remete a essas e outras atitudes românticas, a encontrar o par ideal…

Mas nem sempre foi assim. Muito antigamente, as pessoas não se casavam por amor. Haviam muitos interesses envolvidos, razões econômicas e políticas e nenhum romance.

A aliança surgiu entre os gregos e romanos para simbolizar o casamento. Os romanos acreditavam que no dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração. O anel representava a fusão, a união entre duas pessoas, ideia corrente até os dias de hoje.

O auge dessa concepção foi no século XIX, onde para o Romantismo, o amor passou a ser fato essencial da vida, platônico e sofrido.
O sexo era inseparável do amor e do laço conjugal e a base da família. Consistia em uma proposta filosófica e política para a sociedade burguesa em ascensão, onde não servia apenas para a procriação e as pessoas podiam escolher seus parceiros.

Mas tanto o amor romântico como outras formas de amor são invenções da cultura, e como esta se altera com o tempo. Ao longo dos séculos essa noção de amor, de relacionamento afetivo, mudou várias vezes.  Por volta do XVIII o amor romântico como vemos hoje em finais felizes de filmes, livros, novelas etc. era motivo de chacota. Já se voltarmos para o século III, para o cristianismo, o amor tinha que ser casto e voltado para Deus. Na Grécia antiga, por exemplo, era comum as relações homossexuais. E hoje em dia já fala-se com mais abertura, por exemplo, do poliamor.

O amor romântico vem sendo discutido ao longo das décadas pelos escritores, biólogos, cientistas, psiquiatras etc.
Segundo Robert Johnson, autor do livro We: A chave da Psicologia do amor romântico, crescemos acreditando na ideia irracional de amor romântico do script de conto de fadas. Johnson enfatiza que:

 

Quando estamos “apaixonados” nos sentimos completos, como se uma parte nossa que perdeu-se nos fosse retornada; nos sentimos elevados, como se repentinamente erguidos acima do nível do mundo comum. A vida ganha intensidade, glória, êxtase e transcendência.

 

Para o psiquiatra M. Scott Peck, o amor romântico é um mito no qual procuramos viver situações irreais nos relacionamentos e colocamos no outro a responsabilidade em nos fazer felizes e nos completar. Autor do Livro Caminho percorrido, escreveu um artigo chamado “O mito do amor romântico”, onde critica esse ideal cultural que anula as necessidades individuais. Mas ele não é contra o matrimônio e acredita no amor verdadeiro, a dois, onde cada um procura se desenvolver e crescer individualmente.

Conforme os organizadores do livro Por todas as formas de amor , Adelsa Cunha e Carlos Roberto Silveira:

 

“Fator afetivo-emocional exclusivo dos seres humanos, o amor lato sensu é o que permite a aproximação generosa e gratuita entre os amantes, desdobrando-se em objetos éticos do bem, do bom e do belo, e também os da coragem e da completude onde se dá o encontro das almas. É a trilha dos enamorados, precedida sempre pelo desejo, pela paixão e pelos idílios. Também é o que inspira as mais puras amizades e as mais virtuosas admirações pessoais. […]

 

Do mesmo livro Por todas as formas de amor

 

[…] Definir o que não pode ser definido é um desafio que redundaria em fracasso se eu tentasse abranger todas as variáveis do tema. Amor, amoré, amour, love, liebe… todos pronunciam esse sentimento desconhecido que é a meta e essência, que nos condiciona e tortura, mas cuja presença dá sentido à vida.”

 

O filósofo Jen-Paul Sartre, em Etre et le Néant, diz:

 

“O homem que quer ser amado não deseja realmente a escravização da amada … A total escravização da amada mata o amor do amante. Se a amada se transforma num autómato, o amante reencontra-se a si mesmo sozinho. Por isso, o amante não deseja possuir a amada como se possui um carro. Ele exige um tipo especial de apropriação. Ele quer possuir uma liberdade, enquanto liberdade, ele quer ser amado por uma liberdade, mas exige que esta liberdade deixe de ser livre.”

 

Para conhecermos um pouco da obra de Sartre, o livro A obra de Sartre: Busca da liberdade e desafio da históriade István Mészáros, apresenta uma variedade enorme: desde artigos ocasionais até um ciclo de romances, desde contos até sínteses filosóficas vastas, desde roteiros cinematográficos até panfletos políticos, desde peças de teatro até reflexões sobre arte e música, e desde crítica literária até psicanálise, assim como biografias monumentais, tentando captar as motivações interiores de indivíduos singulares em relação às condições sócio-históricas específicas da época que os moldou e à qual, por sua vez, ajudaram a transformar. Não se pode dizer, contudo, que as árvores ocultam o bosque, muito pelo contrário. O que predomina é a obra global de Sartre, e não determinados elementos dela. Embora, sem dúvida, se possa pensar em obras-primas específicas dentre seus inúmeros escritos, elas não respondem por si sós pela verdadeira importância que ele tem. Pode-se até mesmo dizer que seu ’projeto fundamental‘ global, com todas as transformações e permutações multiformes que sofreu, é que define a singularidade desse autor inquieto, e não a realização sequer de sua obra mais disciplinada. Pois é parte integrante de seu projeto que ele constantemente mude e revise suas posições anteriores; a obra multifacetada se articula mediante as transformações dela mesma, e a ’totalização‘ é atingida mediante incessante ’destotalização‘ e ’retotalização‘. Desse modo, sucesso e fracasso tornam-se termos muito relativos para Sartre: transformam-se um no outro. ’Sucesso‘ é a manifestação do fracasso, e ’fracasso‘ é a realidade do sucesso.

Podemos concluir então que o amor romântico é uma idealização do outro, que foge à realidade. Essa idealização vai sendo minada com a convivência diária, podendo causar decepção e sofrimento. Porém, sem o amor que impulsiona à realizações em várioss âmbitos da vida – como a mudança de estado civil, de tamanho da residência por consequência do nascimento ou adoção de filhos, da mudança de emprego por necessitar de maiores ganhos financeiros por consequência das contas que aumentaram pelo crescimento familiar e residencial, além dos estudos e outros fatores – talvez a existência se torne menos desejosa, caso não foque em outros fatores como o amor próprio, desenvolvimento pessoal, profissional, passeios internacionais, entre outros.

O amor romântico tem que ser bem dosado para não gerar ciúmes, depressões e tristeza e é algo que, “sabendo consertar”, reconheceremos a sua existência e fortaleceremos o sentimentos na percepção de pequenos gestos, como do “fogo”, virar amizade, da amizade tornar-se cuidado, do cuidado ter a gratidão e, da gratidão um vida juntos.

 

A discussão não para por aí e há muitos artigos, pesquisas e livros a respeito. Mas e você, o que acha?

 

 

Saiba mais sobre o assunto em vários títulos disponíveis na Cia. dos Livros!

 

 

amor

 

 

 

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